Introdução aos biomateriais

Biomateriais - conceitos
Há mais de um século muitos pesquisadores vem dedicando esforços para encontrar materiais com características adequadas para restauração e substituição dos tecidos ósseos no corpo humano. Em uma fase inicial, a procura de tais compostos se deu através da utilização de materiais de origem biológica, como no caso dos enxertos e dos transplantes, os quais são classificados como autógenos (onde o doador é o próprio receptor), alógenos (onde o doador e o receptor são da mesma espécie) e xenógenos (onde o doador é de origem animal). Devido às desvantagens desses materiais e também do grande desenvolvimento científico e tecnológico, muitos trabalhos foram realizados com o objetivo de dispor de materiais de origem sintética com características adequadas que permitam diminuir e em alguns casos eliminar o uso de materiais de origem biológica (GUASTALDI, 2003).

A utilização de materiais sintéticos, para a substituição ou aumento dos tecidos biológicos, sempre foi uma grande preocupação nas áreas médica e odontológica. Para este fim, são confeccionados diversos dispositivos a partir de metais, cerâmicas, polímeros e mais recentemente compósitos. Na realidade, nem sempre são novos materiais no sentido estrito da palavra, são materiais dos quais se utilizam novas propriedades obtidas mediante diferentes composições químicas ou processos de fabricação.

A ciência dos materiais dentários tem a necessidade de conhecer certas considerações biológicas que estão associadas com a seleção e uso dos materiais a serem empregados na cavidade bucal, pois estes materiais devem permanecer em contato com diferentes tecidos durante certo período de tempo.
Estes materiais, utilizados como biomateriais, devem apresentar certos requisitos essenciais como: biocompatibilidade, biofuncionalidade, bioadesão, propriedades mecânicas semelhantes às do osso, tais como: módulo de elasticidade, resistência à tração e à fadiga, processabilidade, resistência à corrosão e preços condizentes com a realidade brasileira.

Biomaterial é definido como qualquer substância ou combinação destas que não sejam fármacos, de origem natural ou sintética, que pode ser usada por qualquer que seja o período de tempo, aumentando ou substituindo parcial ou totalmente qualquer tecido, órgão ou função do corpo, com a finalidade de manter e ou alterar a qualidade de vida do paciente. (WILLIANS,1987).

Um material que usado em aplicações específicas, desenvolve respostas teciduais adequadas no sistema hospedeiro, caracteriza-se como biocompatível, ele não necessariamente tem de ser absolutamente inerte ou inócuo como acreditava-se anteriormente, já a biofuncionabilidade caracteriza-se por desempenhar funções desejadas, dadas as suas propriedades mecânicas, químicas, ópticas, elétricas, etc. (SILVA, 1999).

O desempenho do biomaterial sempre foi de grande interesse e preocupação nas disciplinas biológicas. A reabilitação dentária realizada por meio de implantes osseointegrados possui características especiais pois o mesmo encontra-se na cavidade oral, na presença de fluidos orais, é inserido passando pela mucosa e fixado no tecido ósseo osso subjacente. A dissipação das forças oclusais no conector protético, tecido mole e osso inclui o aspecto funcional, porém com acentuada complexidade das condições ambientais químicas e mecânicas. (MISCH, 2000).

Nos materiais que são usados em implantes osseointegrados a biocompatibilidade é avaliada principalmente pela reação do osso ao material, sendo o ideal quando não se encontra reações do tipo corpo estranho.

Além da biocompatibilidade, os biomateriais devem possuir biofuncionalidade, ou seja, a capacidade de desempenhar apropriadamente a função desejada, dada as suas propriedades mecânicas, físicas, e químicas.

Testes padrão de biocompatibilidade representam além de critérios de aprovação e reprovação para controle de material inserido no mercado, parâmetros de estudos das interações do organismo e o material em contato com o mesmo, objetivando estabelecer padrões de testes a fim de descrever e graduar respostas tanto do hospedeiro quanto do material, eliminando a toxicidade ou estabelecendo um critério de tolerância para nível de risco do material.

A International Organization for Standartization (ISO) por cerca de dez anos reuniu trabalhos que desenvolveu um documento conhecido como ISO 10993 - Biological Evaluation of Medical Devices, um conjunto de normas para avaliação de dispositivos e materiais de uso médico, dentre as quais algumas se aplicam nesse projeto.